terça-feira, 17 de maio de 2011

SONETOS DE MEDITAÇÃO IV

         Apavorado acordo, em treva. O luar
         É como o espectro do meu sonho em mim
         É sem destino, e louco, sou o mar
         Patético, sonâmbulo e sem fim.

         Desço na noite, envolto em sono; e os braços
         Como ímãs, atraio o firmamento
         Enquanto os bruxos, velhos e devassos
         Assoviam de mim na voz do vento.

         Sou o mar! sou o mar! meu corpo informe
         Sem dimensão e sem razão me leva
         Para o silêncio onde o Silêncio dorme

         Enorme. E como o mar dentro da treva
         Num constante arremesso largo e aflito
         Eu me espedaço em vão contra o infinito.


Vinícius de Moraes.



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